16 de setembro de 2013

Deserto, um lugar de aprendizado

Quando pensamos em deserto, acredito que uma das primeiras coisas que nos vem à mente é: Dificuldades. Deserto é literalmente um lugar difícil de viver, onde não nos são permitidos regalias ou qualquer tipo de privilégio. Quando entramos no deserto, automaticamente saímos da nossa zona de conforto ficando sujeitos a todos os tipos de escassez. Deserto é lugar de sofrimento, de angústia, de cobranças, de solidão, de ansiedade, de murmurações, de dificuldades, mas o mais importante: Deserto é lugar de aprendizado e crescimento.
Quando declaramos que Deus é o Senhor das nossas vidas, logo entendemos que é necessário deixá-lo nos conduzir completamente e isso inclui não só permitir que o mesmo indique o caminho pelo qual devemos seguir, mas verdadeiramente segui-lo. Contudo isso não é muito fácil, até porque nem sempre o caminho que o Senhor nos direciona é sempre o mais fácil e o mais curto, pelo contrário, Deus nos ama muito e tem grandes projetos para cada um de nós, infelizmente nem sempre estamos preparados; necessitamos dia a dia ser trabalhados, ou seja, preparados para que estes projetos possam se concretizar. Por quê? Porque na maioria das vezes, não valorizamos aquilo que recebemos principalmente aquilo que nos vem de maneira fácil. Já imaginou se as coisas pra nós caíssem do céu? Nossa que maravilha seria, mas com certeza não valorizaríamos tanto quanto aquelas que nos custam certo esforço para alcançá-las. Conhecendo-nos como Deus nos conhece, entende que precisamos ser tratados para receber aquilo que ele tem pra nós, este é um dos principais motivos pelo qual o Senhor nos leva ao deserto, para nos orientar, nos ensinar e nos mostrar exatamente como quer que sejamos e façamos as coisas. Deus nos leva ao deserto para que possa falar ao nosso coração.

“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração”. (Oséias 2:14)

Por que Deus escolheria o deserto para falar ao nosso coração? Logicamente por ser um lugar em que nos encontramos sozinhos, abandonados, tristes, atribulados etc. E exatamente quando estamos neste estado de espírito é que paramos não só para buscar ao Senhor, mas também para escutá-lo.  Como diz o apostolo Paulo:

Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte." (2 Corintios 12:10)

Deus fala conosco todo o tempo, mas nós só o escutamos quando e como decidimos escutar. Quando estamos bem, cercados de pessoas à nossa volta, com uma vida social ativa, dinheiro sobrando na conta, à família em paz, todos os quem amamos com saúde, estamos bem empregados, alegres e sem qualquer tipo de “problema”, dificilmente temos disposição para ouvir a voz de Deus, não que ele não esteja falando, mas porque muitas vezes simplesmente decidíssemos que não precisamos ouvi-lo.
Se formos inteligentes a tão certo ponto, logo enxergaremos que quando isso acontece nos encontramos com um dos maiores problemas da nossa vida, a independência de Deus. Estamos inconscientemente controlando a nossa vida. Digo inconsciente, por que quem é servo do Deus altíssimo é totalmente consciente de que depende de Deus, sabe que sem ele nada pode fazer e deseja ardentemente estar no centro da sua vontade. Sendo assim, o próprio Deus se encarrega de resolver o problema. Por amor, zelo, cuidado e misericórdia, somos levados por ele ao “deserto espiritual”, com o objetivo de sermos tratados, para que possamos voltar e deixá-lo novamente no controle e total direção da nossa vida.
É neste deserto que as coisas acontecem, onde sozinhos, abandonados e atribulados temos a oportunidade de assumir e reconhecer o quanto necessitamos de Deus. De brinde ainda recebemos um tratamento exclusivo, onde somos quebrantados, estraçalhados, levados à casa do oleiro, para que seja feito um novo vaso. Onde o nosso orgulho, soberba, ego e coisas do tipo, são totalmente extintos, passamos a compreender a nossa verdadeira posição de servo e a posição de Deus como Senhor.

Mônica Bastos




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