16 de janeiro de 2016

Por que?

Se tem uma coisa que nós seremos humanos entendemos bem é em fazer perguntas. Desde que aprendemos a falar, começamos a querer explicações para tudo. E isso não é nada ruim, pelo contrário, a busca por respostas torna o aprendizado mais eficaz, pois as pessoas curiosas tendem a fazer perguntas e consequentemente buscar ativamente as respostas. Sem curiosidade Albert Einstein não teria desenvolvido a teoria da relatividade ao lado da teoria  mecânica quântica, um dos dois pilares da física moderna e Alexander Fleming, possivelmente, não teria descoberto a penicilina. Sendo assim, podemos afirmar que de alguma forma, fazer perguntas tem um papel importante no nosso processo de aprendizagem. Mas até aonde fazer perguntas é saudável?
Até o momento que a falta de respostas não vire obsessão nos levando ao desespero.

Todos nós podemos fazer perguntas, mas precisamos compreender que algumas respostas só virão com o tempo, ou seja, a vida se encarregará disso. Não podemos permitir que a falta delas, domine as nossas atitudes e o nosso comportamento. Não estamos dizendo que há perguntas sem respostas, mas que muitas delas podem ou não chegar ao seu tempo e podem ser ou não satisfatórias, então, precisamos aprender a lidar com isso.
Se você me perguntasse quem criou Deus? Talvez tivesse uma resposta, mas não tenho certeza se concordaria com a mesma. O que estamos querendo dizer é que a vida é mesmo complexa, e se quisermos estar em paz, vamos ter que aprender a conviver com algumas perguntas cujas respostas podem demorar a chegar, ou quem sabe, cheguem para nos desestruturar completamente. Existem perguntas, que para o nosso mais alto bem, seria preferível que não tivessem respostas, desta forma, para que buscá-las? Gosto da frase de Camus que diz: "Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado”.

Talvez pudéssemos viver mais tranquilamente se não ficássemos o tempo todo tentando buscar respostas para alguns “porquês”, que insistem em tirar a nossa paz. Talvez devêssemos compreender que viver em si é um mistério e algumas coisas que acontecem nem sempre vêm acompanhadas de explicação.

Mônica Bastos
Fonte: http://paginarevista.com.br/monica_bastos.html