Partidarismo

Certa vez, ao abrir o Facebook, percebi que a foto do perfil de muitos colegas estava colorida. Olhei para as fotos e pensei: Vou colorir a minha também. Modismo? Gosto da frase de Antoine Lavoisier que diz: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.  Acredito que através das ideias alheias conseguimos encontrar estímulo para fazer florescer as nossas próprias ideias. No entanto, antes de colorir o meu face, fui buscar compreender o motivo de todas aquelas fotos estarem coloridas.

Compreendi que o objetivo era bem maior do que enfeitar o Facebook. Comparei a uma grande final de futebol, onde dois times se enfrentam, cada torcedor individualmente torce pelo seu, mas para animar o time e dar-lhe motivação, criam-se as torcidas organizadas. Nessas torcidas o grupo é altamente dividido pelas bandeiras e, também, pelas camisetas. Mas é claro que muitos nem sabem o porquê estão ali. Na entrada do estádio, compram a camiseta mais bonita, e nem percebem que a decisão de vestir uma camiseta, automaticamente o faz optar por um lado. É o que podemos chamar de partidarismo, que nada mais é do que o ato de tomar partido de algo ou de alguém.
Mas como somos livres, e vivemos em uma democracia, todos nós temos o direito de fazer as nossas próprias escolhas, certo? Sim, desde que estejamos também preparados para sofrermos as consequências.  Religião, opção sexual, política e futebol, são assuntos polêmicos, que sempre resultam na velha e boa discussão do que é certo e do que é errado, provocando discórdias e colocando em risco a nossa ética. Infelizmente, condutas antiéticas e conflitos de interesse interferem negativamente na vida de cada individuo. O partidarismo é algo difícil de lidar, pois sempre vem acompanhado de exclusão.
Pessoas de sucesso não são motivadas por paixões e isso implica compreendermos que o marketing está intimamente ligado a convencer o outro a optar pelos nossos produtos e serviços, em vez de optar pelo concorrente. Quem disse que para provarmos que estamos certos, precisamos começar provando que o outro está errado? "Os indígenas em seu nudismo selvagem conseguem manter o respeito e o trabalho mútuo entre eles, enquanto nós, vestidos da sabedoria do homem moderno, nos atropelamos nos interesses que nos afastam da coletividade”. (Jader Amadi). 

Mônica Bastos

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