21 de abril de 2017

Aceita que dói menos

Acreditamos que sonhar, fazer planos é algo inerente ao ser humano. No entanto, precisamos compreender que, em determinados momentos da vida, as coisas não saem como planejadas, o que é normal, já que muitas situações não estão sob o nosso controle. No entanto, esses dissabores consequentemente nos causam dor emocional que geralmente vêm acompanhadas de desesperança e ressentimentos, sentimentos que acabam por tirar a nossa paz de espírito. Nesse momento, somos desafiados a tomar uma decisão: podemos encontrar pessoas para culpar pelos nossos fracassos ou simplesmente aceitar que perdas fazem parte do cotidiano de qualquer ser humano. Podemos nos aprisionar ao passado, a aquilo que não deu certo, ou sabiamente prosseguir, certos de que novas oportunidades surgirão.

Para àqueles que desejam prosseguir, no entanto, não sabem como fazer isso, listamos algumas dicas:

1.    Desapego do passado: Remoer o passado é algo doloroso. Ficar imaginando como as coisas poderiam ter sido diferentes, não mudará o presente, pelo contrário, trás à tona a ideia de fracasso e automaticamente um estado permanente de decepção e frustração.
2. Aceitação: Lembro-me que na época das últimas campanhas eleitorais para prefeito, ouvimos muito um jargão que dizia: “Aceita que dói menos”. Parece piada, mas por incrível que pareça, essa é uma excelente dica. Quando algumas decisões nos levam a seguir uma trajetória oposta a que planejamos, aceitar é um passo importantíssimo para prosseguirmos de maneira equilibrada. Quando falamos de aceitação, não estamos dizendo que devemos baixar a cabeça diante dos acontecimentos ou seguir passivamente como se nada tivesse acontecido. A aceitação nada mais é, do que a maturidade para encarar a realidade dos fatos, fazendo uma autoanálise das nossas escolhas, atitudes e falhas. A aceitação é uma maneira inteligente de compreender que, se o caminho percorrido até aqui não nos levou ao lugar desejado, podemos explorar novas rotas. 
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3. Adaptação: Segundo Daniel Wood: “A adaptação é uma característica que aumenta as suas chances de sobrevivência... em determinado ambiente”. A adaptação a uma nova realidade é algo extremamente difícil, no entanto, uma vez alguém me disse que: “Em meio às dificuldades da vida, sobrevivem àqueles que melhor de adaptarem”. 

Mônica Bastos


24 de fevereiro de 2017

A vida é cíclica

A vida é cíclica, quem hoje é aplaudido amanhã poderá ser vaiado, quem hoje é humilhado amanhã poderá ser exaltado. (Augusto Cury).
Verdadeiramente a vida é cíclica. O ser humano nasce, cresce, e às vezes se une a uma pessoa, outras vezes se separa, às vezes adoece, inevitavelmente morre ou transforma-se, alterando drasticamente a vida daqueles que, de alguma forma, estão interligados a ele. A pesar da vida se renovar de forma constante, nem sempre, o ser humano está preparado para tal renovação, principalmente quando essas modificações ocorrem abruptamente.
Essas situações inevitáveis e que na maioria das vezes está fora do nosso controle, trazem consigo insegurança, fazendo-nos esquecer de que nós temos o poder de estabelecer uma nova rota para nossa vida. Apesar de algumas mudanças causarem forte impacto em nosso cotidiano, podemos caminhar em uma nova direção, desde que venhamos entender que alguns ciclos se encerram e dá início a uma nova etapa; faz parte do desenvolvimento humano. Sobreviver a elas, não é impossível, mas exigem de nós, mudanças de atitudes. E isso não quer dizer motivação, apesar da motivação ser algo essencial para a vida; é perda de tempo despertá-la em um momento que a ação é a única recomendação. Quando estamos diante de um temporal, é a ação que nos ajudará a livrar dele, e não apenas o pensamento positivo.
O novo remete medo, é compreensível, o cotidiano antigo é tão conhecido e tão mais confortável, e mesmo que seja incômodo, ele transmite segurança ou, pelo menos, uma falsa sensação de segurança. Iniciar uma nova etapa é bem mais que desenhar novos caminhos, mas dar significado a este. Para fazer o novo é preciso idealizar e concretizar. É preciso estabelecer novas metas, fixar estratégias criativas e efetivas para atingi-las. É necessário compreendermos que nada nesta vida é estático, e o criador nos dá diariamente a oportunidade de enxergar novos caminhos e possibilidades. No entanto, precisamos nos libertar do passado e olhar para o futuro. Existe uma vasta terra de oportunidades, mas só as pessoas mais atentas e dinâmicas conseguirão vislumbrá-las.
Cada novo ciclo traz consigo uma lição, um aprendizado, uma oportunidade de amadurecimento e evolução do ser humano. A grande sacada é construir um novo a partir das coisas já existentes. É construir aos poucos, é semear e cuidar das sementes.

Mônica Bastos

23 de janeiro de 2017

Macaco não olha para o próprio rabo

“Os hipócritas são aqueles que aplicam aos outros os padrões que se recusam a aceitar para si mesmos”. (Noam Chomsky
Se tivesse que escolher uma palavra para definir o contexto social em que vivemos atualmente, sem dúvidas, essa palavra seria hipocrisia. Quando nos aprofundamos no significado da palavra em questão, compreendemos o seu real significado: A hipocrisia é o ato de fingir ter crençasvirtudesideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. Essa palavra designa moralmente pessoas que representam e que fingem conduta adequada. Um exemplo clássico de ato hipócrita é apontar alguém por certas atitudes, enquanto se age da mesma forma.
Todos nós, seres humanos, em algum momento da vida, agimos com hipocrisia, isso acontece, quando deixamos de olhar para nós mesmos e passamos a focar na vida do outro. Gosto muito de um versículo bíblico, que nos ensina a evitar determinada postura inadequada: “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7:3). Essa passagem nos faz atentar para o detalhe de como nós investimos tempo observando e acusando comportamentos minimamente falhos dos outros e deixamos de olhar para as nossas grandiosas imperfeições. A lição de moral implícita é evitar a hipocrisia e a censura. A analogia utilizada é a de quem julga vê um pequeno objeto nos olhos de outrem quando tem uma grande trave de madeira no próprio olho. Traduzindo, julgamos e acusamos as pessoas por mentir, enquanto nós, despudoramente assaltamos banco e matamos pessoas.
Na vida pública, não são raras, as pessoas que cultivam a prática de condenar os seus adversários, ao invés de dar ênfase às suas próprias qualidades. Assim é o ser humano. Mas a sabedoria popular, que muitas das vezes não goza do mesmo status de saberes adquirido através de estudos científicos, sempre tem algo a dizer acerca do comportamento político ou social. O ditado “macaco não olha para o próprio rabo” define de modo bastante preciso a inclinação das pessoas para esquecer-se de seu comportamento, de suas posturas ao criticar e analisar a situação das outras pessoas. Na verdade, é notório que muitos dos “reclamantes” são executantes dos próprios atos que condenam.


Mônica Bastos

19 de janeiro de 2017

Respeitando limites

Aprendemos desde cedo, que somos livres, temos o direito de ir e vir. Mas será que somos verdadeiramente livres? Para Jean Jacques Rousseau, “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado”. Como isso é possível? Muitas pessoas não percebem, mas fazemos parte de um sistema, onde diariamente, o ser humano busca, a todo custo dominar os outros - e isso é claro -, em prol dos seus próprios interesses.
Na corrida, para ultrapassar a linha de chegada, muitas pessoas não medem esforços para passar por cima do outro. Os relacionamentos saudáveis dão lugar aos relacionamentos por conveniência. As pessoas estão se tornando cada vez mais individualistas, respeitando cada vez menos, o limite do outro.
Em ano de eleições municipais, a palavra de ordem sem dúvida, deveria ser ‘LIMITE’. Claro que essa não é uma palavra que agrada muito, pois quando a ouvimos, logo nasce em nós, um sentimento de moderação e impedimento. E, na verdade, é isso mesmo. Ao falarmos de limite, estamos falando de uma linha imaginária que não convém ultrapassar, de regras que precisam ser respeitadas.
Sabemos que o respeito ao próximo é uma tarefa difícil, até porque, conviver com as diferenças e com as escolhas de cada um exige, de nós, muita paciência. Cada ser humano têm suas particularidades, tem uma maneira de ser e de agir totalmente diferenciada. Por isso, precisamos viver em sociedade, respeitando as particularidades de cada um e, isso só será possível, a partir do momento em que aceitamos o outro. Respeitar é de certa forma, compreender, ter empatia, mas não necessariamente concordar.
É importante que tenhamos a preocupação em respeitar limites. Quando conseguimos tal proeza, demonstramos a nossa evolução em matéria de humanismo. Assim, damos início a um processo grandioso de autodisciplina, de compreensão e de respeito ao próximo. Ao aprendermos a respeitar o espaço do outro, fazemos com que o nosso espaço também seja respeitado. Isso é válido tanto no âmbito pessoal, quanto no profissional.
É incrível como alguns seres humanos têm a capacidade de invadir a vida do outro, sem nenhum pudor. Fazem isso com a maior facilidade, como se fossem possuidores da patente da vida alheia. É importante aprender que as decisões e escolhas alheias não nos diz respeito.


Mônica Bastos

16 de janeiro de 2017

Corte a corda!

“Saiba que são suas decisões, e não suas condições, que determinam seu destino” - Anthony Robbins.

Infelizmente, muitos de nós têm dificuldades para tomar decisões, isso devido à nossa incredulidade. Geralmente optamos por escolher o caminho mais cômodo, mais fácil; ou seja, o mais previsível e menos arriscado. É preciso compreender, que não é a nossa realidade atual que determina a nossa trajetória e, sim, as nossas decisões.
Nós somos os principais responsáveis pela construção da nossa história, e isso se dá a partir do momento que fazemos escolhas difíceis, porém inteligentes. Penso que a história do Alpinista retrata exatamente a minha visão acerca da tomada de decisões.
Contam que um alpinista, desesperado por conquistar uma altíssima montanha, sozinho, iniciou sua escalada depois de anos de preparação. Durante a subida, foi ficando mais tarde e ele, para ganhar tempo, decidiu não acampar, sendo que continuou subindo e, por fim, escureceu.
A noite era muito densa naquele ponto da montanha, e não se podia ver absolutamente nada. A visibilidade era zero. A lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens. Ao subir por um caminho estreito, a poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa. Naqueles breves segundos da sua queda, sua vida passava-lhe inteira em sua mente. Quando a morte já lhe era certa, de repente, um fortíssimo solavanco, causado pelo esticar da corda na qual estava amarrado, por sorte, prendera-se às rochas. Nesse momento de solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer, senão pedir socorro aos céus:

- Meu Deus, ajude-me!
De repente, uma voz vinda dos céus lhe pergunta: 
- Que queres que eu te faça? 
- Salva-me, meu Deus! Respondeu o alpinista.
- Crês realmente que Eu posso salvá-lo?
- Sim, Senhor, eu creio.
- Então, corta a corda!
Depois de um profundo momento de silêncio, o alpinista agarrou-se ainda mais à corda.
- Por que dúvidas? Não crês que eu posso salvá-lo? Insistiu a voz.

Conta a equipe de resgate que, no outro dia, encontraram o alpinista morto, congelado, com as mãos firmemente agarradas à corda, a dois metros do chão.
O que queremos dizer com isso? O que diferencia um vencedor de um perdedor é a sua coragem de tomar uma decisão. A coragem de cortar a corda, na hora certa.

Mônica Bastos

15 de janeiro de 2017

Eu, egoísta?

Nós, seres humanos, somos tendenciosos ao egoísmo. Há até controvérsia se essa é uma característica natural humana, ou se é um hábito adquirido. Independente de ser uma característica natural, ou hábito adquirido, assumir tal comportamento é típico de nós, seres humanos.
Será que somos de fato, egoístas? Não é tão difícil descobrir, quando sabemos o verdadeiro sentido da palavra. Eu particularmente gosto da definição dada por Oscar Wilde: “Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos”.  Desta forma, podemos afirmar que vivemos em uma sociedade bastante egoísta, onde prevalece o individualismo e o capricho. Onde o amor e o respeito ao próximo são atributos escassos.
Todo ser humano tem o direito de ter uma vida individual, mas o dever de fazer com que o individualismo não esbarre no direito do outro. Todos têm o direito de valorizar-se, destacar-se e lutar pelo que acredita. No entanto, para alcançar tais proezas, não é nos dado o direito de acotovelar, desrespeitar ou ofender.

Segundo alguns especialistas sobre o assunto, a sociedade apresenta três tipos de egoístas:

egoísta pessoal – Ele quer tudo para si, está sempre exigindo privilégios. A preocupação exacerbada com os próprios interesses faz com que qualquer coisa ou pessoa que contrarie esses interesses se torne um estorvo a ser eliminado.

O egoísta de classe – Ele tem plena certeza de que o grupo a que pertence é o único correto e que tem direitos inegáveis. Seja um grupo religioso, político ou profissional. Ele esquece que existem inúmeros outros grupos que compõe a sociedade, com pensamentos, posicionamentos legítimos e respeitáveis. Com sentimentos, anseios e ideais.

egoísta de família – Para ele, sua família é melhor que as outras, um sangue especial corre em suas veias. Seus membros familiares merecem tudo. Se há divergência com outras pessoas, certamente os seus familiares têm razão. Não cogita a hipótese de que seus filhos estejam errados, ou que seus pais sejam desonestos.

Vivemos em um mundo onde a civilidade, a harmonia e o respeito são ignorados. Ouvimos algumas pessoas com afirmativas de que o que prevalece é a lei da selva. Mas precisamos lembrar que na selva, prevalece um equilíbrio no ecossistema, que não é autodestrutivo. Que sejamos mais racionais e menos egoístas, como já dizia Confúcio: ‘Não faça aos outros, o que você não quer que seja feito a você’.

Mônica Bastos

13 de janeiro de 2017

Partidarismo

Certa vez, ao abrir o Facebook, percebi que a foto do perfil de muitos colegas estava colorida. Olhei para as fotos e pensei: Vou colorir a minha também. Modismo? Gosto da frase de Antoine Lavoisier que diz: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.  Acredito que através das ideias alheias conseguimos encontrar estímulo para fazer florescer as nossas próprias ideias. No entanto, antes de colorir o meu face, fui buscar compreender o motivo de todas aquelas fotos estarem coloridas.

Compreendi que o objetivo era bem maior do que enfeitar o Facebook. Comparei a uma grande final de futebol, onde dois times se enfrentam, cada torcedor individualmente torce pelo seu, mas para animar o time e dar-lhe motivação, criam-se as torcidas organizadas. Nessas torcidas o grupo é altamente dividido pelas bandeiras e, também, pelas camisetas. Mas é claro que muitos nem sabem o porquê estão ali. Na entrada do estádio, compram a camiseta mais bonita, e nem percebem que a decisão de vestir uma camiseta, automaticamente o faz optar por um lado. É o que podemos chamar de partidarismo, que nada mais é do que o ato de tomar partido de algo ou de alguém.
Mas como somos livres, e vivemos em uma democracia, todos nós temos o direito de fazer as nossas próprias escolhas, certo? Sim, desde que estejamos também preparados para sofrermos as consequências.  Religião, opção sexual, política e futebol, são assuntos polêmicos, que sempre resultam na velha e boa discussão do que é certo e do que é errado, provocando discórdias e colocando em risco a nossa ética. Infelizmente, condutas antiéticas e conflitos de interesse interferem negativamente na vida de cada individuo. O partidarismo é algo difícil de lidar, pois sempre vem acompanhado de exclusão.
Pessoas de sucesso não são motivadas por paixões e isso implica compreendermos que o marketing está intimamente ligado a convencer o outro a optar pelos nossos produtos e serviços, em vez de optar pelo concorrente. Quem disse que para provarmos que estamos certos, precisamos começar provando que o outro está errado? "Os indígenas em seu nudismo selvagem conseguem manter o respeito e o trabalho mútuo entre eles, enquanto nós, vestidos da sabedoria do homem moderno, nos atropelamos nos interesses que nos afastam da coletividade”. (Jader Amadi). 

Mônica Bastos