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Cara x Cara



Outro dia assisti à série Cara x Cara, disponível na Netflix. A série conta a história de Miles, um marqueteiro que um dia foi bem-sucedido, mas que agora se sente cansado, derrotado e insatisfeito com sua invisibilidade na sociedade.

Certo dia, um colega de trabalho indica para ele um SPA misterioso que oferece um tratamento que garante dar um up na sua autoestima, transformando-o na melhor versão de si mesmo. Ele investe no tratamento, porém, ao invés de sair do SPA se sentindo bem, sai de lá com um clone de si mesmo.

A série mistura comédia, drama, suspense e ficção-científica e, diante do seu desenrolar, um episódio me chamou a atenção. Quando Kate, a esposa de Miles, descobre a existência do clone, na esperança de reavivar e salvar o seu casamento, ela decide passar a noite com ele. No entanto, não se sente confortável, mesmo estando diante da “melhor” versão do seu esposo. É que ela chegou à conclusão de que, embora o clone tenha todas as lembranças do seu casamento e sinta como se tivesse vivido tudo aquilo, ele não viveu. Isso fazia toda a diferença.

Para o clone, o não ter compartilhado com Kate todas as experiências da vida a dois o tornava o Miles menos bravo, amargurado ou medroso. Mas Kate entendia que, comparada ao clone, ela estava em outro momento. As experiências a deixaram brava, amargurada e desgastada. Para ela, o clone era como um farol brilhando, e ela continuava a mesma, com todos os seus sofrimentos, e aquilo era cansativo.

A história é fictícia, mas traz uma reflexão sobre o dinamismo e a constante evolução dos relacionamentos em seus mais diversos formatos e de como as experiências de vida moldam a base da nossa personalidade, influenciam na nossa visão de mundo e estabelecem padrões de autopercepção. Cada pessoa é única, e isso se reflete na diversidade de suas experiências de vida.

A série nos faz refletir também sobre a singularidade dos relacionamentos, onde as pessoas compartilham a vida e, apesar de estarem unidas, vivenciam momentos distintos em suas vidas. É sobre compartilhar uma jornada, mas encontrar-se em caminhos diferentes. Esses momentos distintos podem se manifestar no aspecto temporal, onde um pode estar enfrentando desafios enquanto o outro desfruta de períodos mais tranquilos, e por isso é importante respeitar a individualidade e o tempo de cada um.

O segredo reside na aceitação, no respeito e na celebração da singularidade que cada indivíduo traz para a dança complexa e bela dos relacionamentos. 

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