19 de janeiro de 2017

Respeitando limites

Aprendemos desde cedo, que somos livres, temos o direito de ir e vir. Mas será que somos verdadeiramente livres? Para Jean Jacques Rousseau, “O homem nasceu livre e por toda a parte vive acorrentado”. Como isso é possível? Muitas pessoas não percebem, mas fazemos parte de um sistema, onde diariamente, o ser humano busca, a todo custo dominar os outros - e isso é claro -, em prol dos seus próprios interesses.
Na corrida, para ultrapassar a linha de chegada, muitas pessoas não medem esforços para passar por cima do outro. Os relacionamentos saudáveis dão lugar aos relacionamentos por conveniência. As pessoas estão se tornando cada vez mais individualistas, respeitando cada vez menos, o limite do outro.
Em ano de eleições municipais, a palavra de ordem sem dúvida, deveria ser ‘LIMITE’. Claro que essa não é uma palavra que agrada muito, pois quando a ouvimos, logo nasce em nós, um sentimento de moderação e impedimento. E, na verdade, é isso mesmo. Ao falarmos de limite, estamos falando de uma linha imaginária que não convém ultrapassar, de regras que precisam ser respeitadas.
Sabemos que o respeito ao próximo é uma tarefa difícil, até porque, conviver com as diferenças e com as escolhas de cada um exige, de nós, muita paciência. Cada ser humano têm suas particularidades, tem uma maneira de ser e de agir totalmente diferenciada. Por isso, precisamos viver em sociedade, respeitando as particularidades de cada um e, isso só será possível, a partir do momento em que aceitamos o outro. Respeitar é de certa forma, compreender, ter empatia, mas não necessariamente concordar.
É importante que tenhamos a preocupação em respeitar limites. Quando conseguimos tal proeza, demonstramos a nossa evolução em matéria de humanismo. Assim, damos início a um processo grandioso de autodisciplina, de compreensão e de respeito ao próximo. Ao aprendermos a respeitar o espaço do outro, fazemos com que o nosso espaço também seja respeitado. Isso é válido tanto no âmbito pessoal, quanto no profissional.
É incrível como alguns seres humanos têm a capacidade de invadir a vida do outro, sem nenhum pudor. Fazem isso com a maior facilidade, como se fossem possuidores da patente da vida alheia. É importante aprender que as decisões e escolhas alheias não nos diz respeito.


Mônica Bastos

16 de janeiro de 2017

Corte a corda!

“Saiba que são suas decisões, e não suas condições, que determinam seu destino” - Anthony Robbins.

Infelizmente, muitos de nós têm dificuldades para tomar decisões, isso devido à nossa incredulidade. Geralmente optamos por escolher o caminho mais cômodo, mais fácil; ou seja, o mais previsível e menos arriscado. É preciso compreender, que não é a nossa realidade atual que determina a nossa trajetória e, sim, as nossas decisões.
Nós somos os principais responsáveis pela construção da nossa história, e isso se dá a partir do momento que fazemos escolhas difíceis, porém inteligentes. Penso que a história do Alpinista retrata exatamente a minha visão acerca da tomada de decisões.
Contam que um alpinista, desesperado por conquistar uma altíssima montanha, sozinho, iniciou sua escalada depois de anos de preparação. Durante a subida, foi ficando mais tarde e ele, para ganhar tempo, decidiu não acampar, sendo que continuou subindo e, por fim, escureceu.
A noite era muito densa naquele ponto da montanha, e não se podia ver absolutamente nada. A visibilidade era zero. A lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens. Ao subir por um caminho estreito, a poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa. Naqueles breves segundos da sua queda, sua vida passava-lhe inteira em sua mente. Quando a morte já lhe era certa, de repente, um fortíssimo solavanco, causado pelo esticar da corda na qual estava amarrado, por sorte, prendera-se às rochas. Nesse momento de solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer, senão pedir socorro aos céus:

- Meu Deus, ajude-me!
De repente, uma voz vinda dos céus lhe pergunta: 
- Que queres que eu te faça? 
- Salva-me, meu Deus! Respondeu o alpinista.
- Crês realmente que Eu posso salvá-lo?
- Sim, Senhor, eu creio.
- Então, corta a corda!
Depois de um profundo momento de silêncio, o alpinista agarrou-se ainda mais à corda.
- Por que dúvidas? Não crês que eu posso salvá-lo? Insistiu a voz.

Conta a equipe de resgate que, no outro dia, encontraram o alpinista morto, congelado, com as mãos firmemente agarradas à corda, a dois metros do chão.
O que queremos dizer com isso? O que diferencia um vencedor de um perdedor é a sua coragem de tomar uma decisão. A coragem de cortar a corda, na hora certa.

Mônica Bastos

15 de janeiro de 2017

Eu, egoísta?

Nós, seres humanos, somos tendenciosos ao egoísmo. Há até controvérsia se essa é uma característica natural humana, ou se é um hábito adquirido. Independente de ser uma característica natural, ou hábito adquirido, assumir tal comportamento é típico de nós, seres humanos.
Será que somos de fato, egoístas? Não é tão difícil descobrir, quando sabemos o verdadeiro sentido da palavra. Eu particularmente gosto da definição dada por Oscar Wilde: “Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos”.  Desta forma, podemos afirmar que vivemos em uma sociedade bastante egoísta, onde prevalece o individualismo e o capricho. Onde o amor e o respeito ao próximo são atributos escassos.
Todo ser humano tem o direito de ter uma vida individual, mas o dever de fazer com que o individualismo não esbarre no direito do outro. Todos têm o direito de valorizar-se, destacar-se e lutar pelo que acredita. No entanto, para alcançar tais proezas, não é nos dado o direito de acotovelar, desrespeitar ou ofender.

Segundo alguns especialistas sobre o assunto, a sociedade apresenta três tipos de egoístas:

egoísta pessoal – Ele quer tudo para si, está sempre exigindo privilégios. A preocupação exacerbada com os próprios interesses faz com que qualquer coisa ou pessoa que contrarie esses interesses se torne um estorvo a ser eliminado.

O egoísta de classe – Ele tem plena certeza de que o grupo a que pertence é o único correto e que tem direitos inegáveis. Seja um grupo religioso, político ou profissional. Ele esquece que existem inúmeros outros grupos que compõe a sociedade, com pensamentos, posicionamentos legítimos e respeitáveis. Com sentimentos, anseios e ideais.

egoísta de família – Para ele, sua família é melhor que as outras, um sangue especial corre em suas veias. Seus membros familiares merecem tudo. Se há divergência com outras pessoas, certamente os seus familiares têm razão. Não cogita a hipótese de que seus filhos estejam errados, ou que seus pais sejam desonestos.

Vivemos em um mundo onde a civilidade, a harmonia e o respeito são ignorados. Ouvimos algumas pessoas com afirmativas de que o que prevalece é a lei da selva. Mas precisamos lembrar que na selva, prevalece um equilíbrio no ecossistema, que não é autodestrutivo. Que sejamos mais racionais e menos egoístas, como já dizia Confúcio: ‘Não faça aos outros, o que você não quer que seja feito a você’.

Mônica Bastos