28 de abril de 2013

Popularidade versus preconceito

Lembro-me muito bem que na minha adolescência amava assistir aqueles filmes típicos de adolescentes. Filmes que sempre narravam à vida escolar de jovens, com suas rivalidades e com aquelas histórias de amor complicadas, onde o galã da escola, sempre se apaixonava pela nerd feia e que no final do filme sempre ficava linda, sabe?
Geralmente nestes filmes sempre há divisão de grupos: Existem as garotas populares, aquelas bem vestidas, lindas e maravilhosas; Existem os hippies, os nerds, os religiosos, os esportistas etc. Claro que quando assistíamos a estes filmes, sempre torcíamos pela nerd feia, mas no fundo, no fundo, queríamos mesmo estar no grupo das lindas, maravilhosas, populares e fúteis. Com o passar dos anos vamos chegando à fase adulta e percebemos que as coisas são mais ou menos como as histórias daqueles filmes, as pessoas realmente procuram o grupo que mais se identificam e começam a fazer parte dele. O único problema é que muitas vezes estas divisões trazem isolamento e conflitos e estes conflitos podem prejudicar consideravelmente a vida pessoal, social e profissional de um individuo. Como?
Quando chegam à fase adulta, grande parte destes indivíduos tende a não compreender que toda aquela divisão de grupos era simplesmente coisa de adolescente; trazem para a vida adulta toda a visão de adolescente em relação às pessoas e grupos. Na fase adulta tornam-se pessoas preconceituosas, não compreendendo que vivemos em um país miscigenado com uma grande diversidade étnica.
Imagine um profissional preconceituoso? Ele não aceita a raça, a opção sexual ou até mesmo a religião de seu colega de trabalho. Infelizmente isso acaba interferindo no seu desempenho profissional. Profissionais preconceituosos tendem a não desenvolver ética profissional, quando de alguma forma não concordam com as escolhas de seus colegas de trabalho, passam a persegui-los, dificultando-lhes o trabalho e muitas vezes até se utiliza de métodos ilícitos, com o objetivo de dar no seu colega aquela puxada de tapete.
Quando nos deparamos com situações como estas, precisamos de alguma forma compreender que nossa vida adulta é totalmente diferente da nossa adolescência, onde antes não éramos responsáveis por nossas atitudes errôneas e poucas vezes éramos punidos.
Na fase adulta as coisas mudam, é importante compreender que somos os principais responsáveis por nossas atitudes e que se não agirmos de forma correta, com certeza sofremos as consequências.
No colegial as pessoas que se enquadram no grupo das populares, geralmente são pessoas más, que fazem de tudo, não para alcançar o seu objetivo, mas sim para impedir que o objetivo das outras pessoas que lhes cercam, sejam alcançados. Não são nada estudiosos. São indivíduos que fazem acepção de pessoas, escolhendo a dedo os seus amigos e parceiros, que geralmente tem o perfil comportamental idêntico ao seu. São pessoas preconceituosas, que não aceitam as opiniões de outras pessoas, sempre estão certas e no controle da situação. Caso as coisas não saiam como planejado sempre encontram um bode expiatório para assumir a culpa em seu lugar.
No nosso ambiente de trabalho, profissionais populares geralmente são pessoas de boa índole, que se dedicam em desenvolver um bom trabalho, alcançando os seus objetivos e de quebra ainda se colocam à disposição dos colegas, caso necessitem de ajuda. São indivíduos humildes, que não fazem acepção de pessoas, se relaciona bem com todos independente de sua raça, cor, religião, classe social ou opção sexual, livres de qualquer preconceito. Entende que a diversidade só vem ajudar, afinal de contas, à diferença entre nós seres humanos nos trazem um aprendizado mútuo. São pessoas abertas a opiniões, entendendo que as pessoas à sua volta estão ali para somar, são bons ouvintes e totalmente abertos a opiniões. Nunca se intitulam como os donos da razão e quando as coisas não saem como planejado (falhas) são profissionais o suficiente, para assumir a responsabilidade de seus erros, sem procurar alguém para assumir a culpa em seu lugar.
O que mais me chama atenção quando analisamos o perfil comportamental de indivíduos que no colegial pertenciam ao grupo das pessoas populares, é que muitos se comportam no ambiente de trabalho da mesma forma que se comportavam no colegial, acreditando que assim conseguem manter a tal “popularidade”. Geralmente são profissionais apadrinhados, que alcançaram cargos ou posições por indicação ou apadrinhamento. Pessoas assim são tendenciosas ao fracasso, pois num momento tardio, com certeza perceberão o verdadeiro significado da verdadeira popularidade e infelizmente isso só acontece após resultados desastrosos. Frustração, tristeza, depressão sempre tendem aparecer após entendermos que passamos grande parte de nossa vida, vivendo uma vida vazia e fantasiosa.
O que é mais engraçado é que os nerds nada populares, geralmente dominam o mercado de trabalho. São os que entendem que não há popularidade se não houver esforço, dedicação, humildade, respeito mútuo e acima de tudo competência. Nem todos os profissionais populares são grandes profissionais, mais com certeza todos os grandes profissionais são populares.
Na vida adulta se não tivermos bastante cuidado, os papéis podem se inverter. Os nerds se tornam populares e os populares nerds? Com certeza não, os nerds se tornam populares e os antigamente considerados populares, tornam-se fracassados, mas no final de tudo acabam compreendendo que popularidade e preconceito não andam juntos.


Mônica Bastos